Nessa madrugada fria pensei em escrever um poema.
Imaginei um relato de amor, uma carta de despedida.
Mas meu peito se esvaziou de tão modo que meus pensamentos não alcançavam meu coração.
Tudo me dói. Os olhos, o corpo, a fala, a escrita…
A verdadde é que:
Eu te amo.
Te amo, viu?
É assim que se faz. Se você ama, você diz. Você vive!
Amor foi feito para sentir com o coração. É um precipício do qual você se joga sem medo de se arrebentar acaso chegue ao chão. Quem se joga sabe que pode voar. E voamos juntos, entende?
Não entende…
(suspiro)
Sou um mero adorno.
Uma curiosidade.
Depois que desvendada, volto para prateleira.
E cansei… Sou agora um brinquedo revolucionário em busca da liberdade de ir… e ficar…. Não é o que os brinquedos desejam?
Ser de alguém…
Tudo o que disse já secou em mim….
Gostaria de entender. Ou não entender nada, pois o que penso entender me choca.
Reflito….
Você não é a pessoa para mim…
Não me merece nem por um instante.
O que vejo agora me deprime porque amor não se pede, amor se dá.
O quanto implorei pelo seu!
Lutei tanto para não me entregar! Relutei tanto para não me apaixonar!
E me humilho a cada vez que digo que te amo…
Porque digo com o coração.
Insisti num sentimento mais meu do que seu.
E o erro é meu.
Me joguei sozinha do precipicio…. nao consegui voar.
Não tive asas por nós.
Mas mesmo tendo caído ainda me sobra algo… E voarei só.
Ouvi tantos “Vai!”, “Seja feliz”, que agora estou indo.
Prefiro sofrer, me arrastar ferida, sangrar até não ter mais lágrimas do que implorar novamente por um gesto de coragem porque eu sei que você me ama.
Eu senti o seu amor.
Com o corpo, com palavras, com gestos e gemidos.
Eu sei sim que você me ama.
Mas sua covardia, egoismo, sua ganancia, ignorancia da juventude, nao tao jovem assim, cresça, me afastam para longe.
Para longe de você.
Para longe de mim.
Para longe do amor…. mais uma vez…
Fomos longe demais… minha intensidade te sufoca, sua distância, fria, me afasta.
E sentiremos falta.
Da amizade, do companheirismo, dos pequenos gestos, dos gestos dedicados e exclusivos, do sexo, dos carinhos, colos e cafunés, dos planos de viagem, dos abraços, como vou sentir falta de um abraço seu! Do beijo.
É tortura… eu sei…
Mas tudo isso acabou.
Acaba aqui.
O que eu quero é isso: beijos e cafunés. Abraços e carinho. Desejo e amor.
Você nao é capaz….
E eu….
Eu não imploro mais. Nunca mais.
Se um dia descobrir que me ama, que ficar comigo vale a pena, que deseja voar junto, vai precisar muito mais do que um simples oi, do que um simples sim, porque meu coração foi ferido, minha credulidade abalada.
Não estou mais a disposição. Não sou um sirva-se a vontade quando bem quiser, bem puder.
Aprenda que riscos existem.
Ou se arrisca comigo ou se arrisca a me perder para sempre.
Uma parte de mim já se foi….
E o que conheço de você, de seus planos, seus desejos, o perder é o risco que sai ganhando.
Então…
Adeus, porque não consigo aceitar.
Em mim tudo é muito irracional.
Adeus, porque não imagino ter que ver um futuro de algo que nao deu certo comigo.
Em mim seria mais uma mágoa.
Adeus, porque preciso me desintoxicar de você.
Em mim você tem sido um vício.
Adeus, porque já é hora de dizer adeus.
Veja só…
Nessa madrugada fria escrevi um poema.
Imaginei um relato de amor, uma carta de despedida.


